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Publicada em 28/03/2017 - 13h04
Da Redação

A convocação

Um conto da convocação folclórica


A convocação

Os raios cortam os céus em fúria. Rimbombam os trovões e a chuva cai pesadamente, enquanto isso, os homens de preto correm desesperadamente de um lado para outro, folheando regimentos e leis na tentativa de barrar a fala do Convocado para o encontro semanal noturno do vetusto Parlamento.

- Aqui ele não fala!

Passa um senhor balofo, de cabeça branca, capengado com o peso da idade, todo torto, escorando-se nas paredes. Ele insiste:

- Falta de respeito. Onde já se viu um sujeito subir à Tribuna desse jeito, sem paletó.

Mesmo não encontrando nada que proíba o mesmo de falar e explicar-se pelos apelidos, suspostamente dado por ele aos ilustres pares dessa Casa, com um cabeção que a custo se equilibra no corpo flácido proclama em decisão ditatorial.

- Sem terno, aqui, ele não fala!

Na galeria abarrotada, duas abelhinhas se destacam pelo sorriso irônico dado a comicidade do momento. Elas vestem minúsculos shorts, apesar do ambiente, sugerido pelos senhores de respeito e vida ilibada, como sendo um espaço solene.

Os populares circulam pelos corredores em trajes comuns, também contrariando o regimento do Parlamento segundo proclama o Presidente. Muitas pessoas de chinelos e até roupas de dormir.

Exaltado, apareceu o herdeiro do Tio Patinha, leke novo, fisiologista de carteirinha, afeiçoado a patacas em troca de acordos espúrios, em apoio ao chefe:

- Não deixe senhor Presidente, o sujeito falar.

Em verdade essa Convocação é um tiro no pé dos pares da Augusta Casa que desejavam a humilhação do Convocado ou sua condenação pela Ditadura das palavras.

Condenando-lhe com confissão sumária na contenda dos apelidos.

Nesse momento, ouvem-se gritos, saídos do meio da multidão. São as capotetes conmandadas por uma madona branca com madeixas de ouro, que ovacionam a proibição.

São remanescentes do Reino de Ratópolis, frequentadoras contumazes da Casa do Povo, agora entregues à Ditadura Oposicionista dos vendilhões dos pobres e indigentes.

O Homem observa todo siribolo armado pelos donos da Verdade, vestido a caráter, já que o objetivo da Convocação era falar da origem dos apelidos, uma palhaçada inconteste, promovida pelos capas pretas, onde inclusive as mulheres ocupam o picadeiro do grande circo dos políticos.

- onde já se viu convocar uma pessoa, uma autoridade, para tratar de um assunto sem relevância nenhuma para a sociedade?

Deste triste espetáculo, a lição que se deve tirar é que a poesia singela dos loucos, mesmo amordaçada pela arrogância e covardia dos poderosos, mais uma vez, triunfa ao ressuscitar a velha ópera trintaniana dos “ratos e urubus larguem minha fantasia”.

Triunfal em seu silencio, o Convocado sobe no alazão de fero, já quase todo comido pela ferrugem e corta a noite fria e mergulha em sua simplicidade peculiar, após a chuva lavar as ruas e becos da cidade, com a consciência tranquila daqueles que combatem a ignorância e as injustiças, às vezes usadas para abater os oprimidos.

O convocado chega a pensar tratar-se da antecipação do dia nacional do folclore, por isso, resolve fazer uma homenagem ao Chico Trem.

- E os apelidos, homem?

- Estão por aí, de boca em boca, a enriquecer a Cultura Popular, principalmente quando os apelidados se incomodam como fazem agora os elementos dessa trup mambembe do fazer politico, fantasiados de puritanos, mas com garras de gárgulas fantasmagóricas.

Assim está escrito!


Fonte: barrasonline.com
Editor: Editoria


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  1. jose augusto sousa do rego
    28/03/2017 às 13:45h
    parabéns germano, mais uma vez... não baixe a cabeça pra esses magotes de desocupados que não tem o que fazer, em breve estou conhecendo vc pessoalmente. mais um vez parabéns.